Dear reader
Eu já li alguns livros clássicos e contemporâneos durante os meus 19, quase 20 anos, e nenhum se compara a esse. De todos os romances clichês que eu já li e passei horas, talvez dias, pensando a respeito, nenhum permaneceu tanto tempo em minha mente quanto esta leitura. Eu li "O Morro dos Ventos Uivantes" em 2021 e até hoje penso sobre ele.
Entre todos os livros que eu já li, nunca encontrei um que fosse tão intenso em relação ao sentimento de amar. "O Morro dos Ventos Uivantes" foi o primeiro livro de literatura clássica que eu li, então posso afirmar que a linguagem não é tão difícil. A única parte que me deixou um pouco confusa foram os primeiros capítulos do livro, porque alguns nomes de personagens se repetem, e eu demorei um pouco para identificar cada um.
Eu amo ler, amo histórias e amo falar e pensar sobre elas. Acho que a leitura e a escrita hoje em dia se tornaram coisas superficiais, em grande parte. Não escrevem com tanta intensidade quanto antigamente; parece que tudo se tornou anseio por dinheiro e reconhecimento. Este livro foi escrito por Emily Brontë e publicado em 1847. Para o livro ser publicado, Emily pagou 50 libras ao editor para que ele não tivesse prejuízo; ela pagou para não ganhar nada, pois na época a publicação foi um fracasso. Emily Brontë faleceu sem conhecer o sucesso de sua obra, pois durante sua existência ela foi considerada uma fracassada que teve uma obra fracassada. Ironicamente, em 2007, um raro exemplar da primeira versão foi vendido em um leilão por 114 mil libras. Como eu sei disso? Quando o meu Instagram era somente sobre livros, eu fiz um post sobre as irmãs Brontë.
Na época, Emily não publicou o livro pensando em fama ou dinheiro; ela gostou de sua história e queria que o mundo a conhecesse também, conhecesse seus personagens e sua história, e não a autora. Ou seja, não foi algo superficial.
Este livro tem como personagens principais Catherine e Heathcliff, ambos com diversos problemas e sentimentos. É um romance, mas não daqueles fofinhos em que os personagens estão sempre felizes e otimistas. O Morro dos Ventos Uivantes é sobre amor, mas também sobre dor, perdas, orgulho, ciúmes e transformações pessoais.
Minha frase preferida sobre o amor está nesse livro; nunca li nada parecido, nunca li algo tão intenso e bonito. O ato de amar é lindo e ótimo de se ver e viver, mas conexão de almas, isso é raro, tanto de ver quanto de viver.
"Seja qual for a matéria de que nossas almas são feitas, a minha e a dele são iguais;"
O amor dos personagens era um amor de alma. Eu não irei dar nenhum tipo de spoiler nessa resenha porque realmente acredito que este é um livro que todo mundo que gosta de ler deveria apreciar, ler e tirar suas próprias conclusões. Como Emily Brontë conseguiu, naquela época, criar algo tão lindo? Este foi o único livro publicado da autora, o que é uma pena, pois eu iria amar mais histórias como esta.
A história se passa em uma casa perto de um morro, por isso o nome O Morro dos Ventos Uivantes. Durante toda a leitura, eu imaginava o cenário, as roupas dos personagens, a aparência de cada um... Livros nos fazem pensar e imaginar, mas este em especial fez com que eu pensasse em cada detalhe. Ele é, sem dúvidas, um dos meus favoritos e um dos melhores que já li na vida.
"Meus grandes desgostos neste mundo são os desgostos de Heathcliff, e acompanhei e senti cada um desde o começo: o que me mantém viva é ele. Caso tudo o que mais perecesse, e ele permanecesse vivo, eu seguiria existindo. E caso tudo permanecesse vivo e ele fosse aniquilado, o universo se tornaria algo extremamente desconhecido, do qual eu não pareceria fazer parte."
A melhor parte de ter um blog é poder escrever o quanto eu quiser sobre tudo o que eu quiser. Não tenho caracteres limitados aqui, então provavelmente essa resenha estará maior do que se fosse postada apenas no Instagram.
Quando eu digo que os protagonistas se amavam, eu digo AMOR e não só PAIXÃO. Desde o momento em que li esse livro, pensei que Catherine e Heathcliff eram almas gêmeas, e adivinhem? Continuo achando isso. Eles tinham uma conexão de almas mesmo quando estavam separados, e isso é difícil de achar até mesmo em histórias.
"Nelly, eu sou Heathcliff! Ele está sempre, sempre, na minha mente. Não como um prazer, pois tampouco sempre sou um prazer para mim mesma, mas como meu próprio ser."
Só não posso esquecer de mencionar aqui que o fato de ser uma história de amor em que os personagens possuem uma ligação de alma não significa que são perfeitos ou que são os tipos de personagens com um estereótipo que todo leitor gostaria de ter em sua vida, pelo contrário. Eles se bastam. Emily escreveu Catherine para Heathcliff e Heathcliff foi escrito para Catherine. Existem outros personagens nessa história, como a Nelly, quem narra o livro, mas apesar de todos os outros personagens, tenho certeza de que os protagonistas terão o seu foco.
"Se ele amasse com todas as forças de seu exíguo ser, ainda assim não seria capaz de amar em oitenta anos o que eu sou capaz em um dia. E o coração de Catherine é tão profundo quanto o meu: todo o afeto dela pode ser monopolizado por ele com a mesma facilidade que o mar pode ser contido nessa gamela. Ora! É apenas um pouquinho mais caro a ela do que seu cachorro, ou o cavalo dela. Não é da natureza dele ser amado como eu sou. Como ela poderia amar nele algo que ele não tem?"
Até esqueci de mencionar que gostei tanto desse livro que também comprei a versão física em inglês. Espero que você, leitor, tenha gostado dessa resenha e que tenha sentido vontade de ler e conhecer mais sobre essa história.
"E Catherine, você sabe que eu lhe esqueceria com a mesma facilidade que conseguiria esquecer minha própria existência!"
With love, Duda.

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